A Diplomacia brasileira e o caso Snowden

A Diplomacia brasileira e o caso Snowden

Muito suspense foi feito a respeito da entrevista que o ex funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, Edward Snowden, daria exclusivamente ao programa Fantástico, todos esperavam revelações bombásticas e novos escândalos internacionais. Porém, a entrevista não trouxe novidades.

Snowden ficou mundialmente conhecido em 2013 ao liberar documentos que provavam que várias figuras públicas como presidentes e os próprios cidadãos comuns estadunidenses foram e são monitorados através da internet e celular, sob o argumento dentro da doutrina de Guerra ao Terror, na estratégia falha de tentar identificar terroristas e assim evitar ataques.

Ele defende:

“Não é sobre privacidade. É liberdade. O equilíbrio entre os direitos individuais e o direito que o governo tem de coletar informações. Se vigiarmos cada homem, mulher e criança, da hora em que nascem até a hora que morrerem, podemos dizer que eles são livres? Isso é muito perigoso. Porque mudamos nosso comportamento se sabemos que estamos sendo vigiados. É uma ameaça à democracia”.

A entrevista, que desenhou Edward como herói, relatou um pouco sobre a vida na Rússia, país historicamente inimigo dos EUA e que o concedeu asilo diplomático, normalmente concedido em decorrência de perseguição de natureza política, ou seja, crimes políticos ou questão ideológica.

Esta concessão vence ainda este ano e Snowden aproveitou a oportunidade para deixar claro que ficará feliz se o Brasil substituir a Rússia e conceder esse asilo. Revelou também que fez o pedido oficial ano passado, o qual o Itamaraty (sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil) nega ter tomado conhecimento. Negou-se também a comentar a entrevista.

Ora, esse descaso e morosidade da diplomacia brasileira nada mais são do que proteção dos seus próprios interesses políticos. Dado que o Brasil é e sempre foi aliado dos Estados Unidos, seria no mínimo uma afronta aceitar um pedido de asilo a alguém que lá é acusado de crime contra a pátria. 

A voz internacional do Brasil se fortaleceu muito durante o governo do ex-presidente Lula, mas não o suficiente, assim, o governo brasileiro não pode arcar politicamente com essa ruptura com os EUA. O principal problema reside em até onde o Itamaraty vai se abster de responder, e portanto dialogar, com os grandes temas internacionais.

Esse "medo" que a diplomacia tem de ser exercida de maneira coerente não contribui em nada para a formação da identidade brasileira no cenário internacional, que só é forte no âmbito da América do Sul.

De fato, o conceito de poder muda com o passar dos tempos. Já significou territórios, armas, indústrias. Agora definitivamente significa informação, ou seja, esses documentos secretos revelados por Snowden são as armas da era da informação. Mas não possuem serventia se não forem bem usadas, e é por isso que a diplomacia brasileira precisa parar de ignorar o caso, deixar o posto de “observador atento” e se impor.