Não existem finais felizes

Não existem finais felizes

Ciclos são engraçados, abrangentes e, consequentemente, abusivos aos nossos pensamentos e para as pessoas que nos relacionamos. Crescemos acostumados com essa ideia ilusória de que tudo sempre tem um final feliz, e que se o mesmo ainda não chegou, certamente é porque ainda não chegamos ao nosso “match point”. Certo? Errado! É daí que partem inúmeras insatisfações e a busca pela felicidade através das pessoas e, na maioria das vezes, deixamos passar despercebido que essa tal felicidade independe de terceiros. Na verdade, a única coisa que vejo causar dependência de alguém que não seja você mesmo, é a tão desastrosa expectativa. 

... o final nunca é quando a gente desiste, mas quando a gente parte.

Quando a gente se apaixona pela primeira vez é sempre tão lindo e ingênuo, ou pelo menos foi assim a alguns anos atrás, quando ainda não éramos tão dependentes uns dos outros. Ou, melhor dizendo, minha única dependência foi e sempre será de sorrisos. Sou totalmente dependente. 

Desde pequenos fomos acostumados a fazer a leitura de filmes e novelas, chegando a compará-los sempre com a vida real e com o desejo de que alguma das histórias que a gente vive durante um tempo passageiro, acabe se tornando tão lindo e fantasioso como o daquele filme, ou novela, que acabamos de praticar apego. Depositamos e, na maioria das vezes, tentamos copiar a trama escrita para o dia-a-dia. E, consequentemente, as frustações começam a nos acompanhar. Ser feliz nos dias de hoje é requisito para uma vida saudável, pena que algumas pessoas ainda relacionam felicidade com “ter um par” pra vida inteira. Felicidade está nos atos, não nas pessoas. 

Ao contrario do que pensamos e tentamos trazer das telas pra vida, novelas, filmes, séries e tudo que estamos acostumados a assistir para passar o tempo, nunca chegam ao seu devido fim; o final nunca é quando a gente desiste, mas quando a gente parte. E os “finais felizes” geralmente vão ser borrados por algumas lágrimas de último adeus. A vida não acaba pra quem se vai, mas pra quem geralmente fica – em pedaços -.

Marianne Galvão