O sequestro das jovens na Nigéria completa um mês

O sequestro das jovens na Nigéria completa um mês

Há exatamente um mês, mais de 200 jovens foram retiradas de sala de aula, sequestradas pelo grupo islâmico Boko Haram, na Nigéria. Graças ao rápido fluxo de informações que a globalização nos proporciona, o vídeo feito pelo atual líder do grupo extremista, Abubakar Shekau, circulou o mundo e atingiu importantes figuras públicas como Michelle Obama a Angelina Jolie, principiando a campanha #BringBackOurGirls (devolvam nossas garotas). A partir daí, a comoção foi geral, mas não é a primeira vez que o grupo comete esse tipo de ataque, e muito provavelmente não será a última. 

A Nigéria é religiosamente dividida entre o norte islâmico e o sul cristão, com efeito, o Boko Haram impõe a lei islâmica desde 2002 e já matou mais de 10 mil pessoas. Mas não é só contra o cristianismo que esse grupo luta. Com a colonização britânica foram implantados os valores ocidentais de educação e democracia, e aí reside a raiz da aversão ao ocidentalismo, que resulta em ataques a igrejas, escolas, escritórios da ONU e o sequestro das jovens.

Para o grupo, a educação ocidental é pecaminosa e não deve ser seguida, muito menos pelas mulheres, que deve ter seu papel na sociedade islâmica restrito ao casamento, lar e família. Assim, ao fazer uso da melhor estratégia terrorista (gerando medo e pânico na população), o Boko Haram captura meninas e estas sofrem violência sexual até aceitarem virar mulçumanas e casarem com um dos terroristas.

Até agora, a resposta internacional foi o envio de especialistas de inteligência para tentar descobrir onde os grupos estão mantendo as jovens como reféns, que a essa altura já devem ter sido divididas em grupos menores e espalhadas pelas vilas islâmicas para dificultar o resgate.

Por fim, além da urgência em libertar as meninas, tanto o governo nigeriano quanto a União Africana e a sociedade internacional precisam pesar as questões estruturais que envolvem essa situação, desde a pobreza crônica, as razões políticas que motivam o grupo terrorista e até o próprio sistema educacional. E tentar, claro, não fazer disso um pretexto para uma invasão externa que configurará outra colonização.