Perdemos a essência da conquista?

Perdemos a essência da conquista?

Ou apenas esquecemos o quanto é bom andar de mãos dadas por aí, compartilhar das músicas só nossas com alguém que escolhemos pra compartilhar sorrisos, deixamos passar um "bom dia" despercebido – por medo de ser invasivo, ou por apenas não ligar para essas coisas mais bregas -. Estamos tornando o amor mais vago que as paixões. E as paixões mais cobiçadas que o amor. Corremos contra o tempo entre o vago espaço que resta entre as pessoas e tentamos preencher esses vazios com carinhos momentâneos que, logo após a conquista reconhecida, maioria decide pular fora. As vezes, parece que ninguém sabe mais remar, perderam a fé em rezar e desperdiçam a verdadeira arte do gostar. Ninguém sonha mais, nem ajuda alguém a construir pontes que interliguem um ao outro. Sentimentos assim tornaram-se vagos demais.

As vezes, parece que ninguém sabe mais remar, perderam a fé em rezar e desperdiçam a verdadeira arte do gostar.

Eu quero beijos inesperados, bilhetes escondidos, ligações às 3hrs da manhã só pra falar que acordou e sente saudades, andar de mãos dadas por aí, brincar entre línguas e sorrisos; quero o tempo não perdido, mas aparentemente ele já se foi. Trocamos os gestos e demonstrações por SMS e palavras, mas como qualquer escritor que se preze, palavras só servem em minhas poesias, crônicas e textos. Na vida real, eu quero gestos!

Nos tornamos mais casuais que qualquer roupa ou perfume em noite de sexta-feira. Nos encontramos mais em alguns copos de bebida, do que nos abraços. O calor no sexo parece ser mais quente e, no amor, démodé. Nos perdemos no mundo de aparências e acabamos esquecendo que o que verdadeiramente importa não é nada aquilo que os outros pensam sobre nós, ou sobre você, mas a essência que cada um carrega do lado de dentro. E, às vezes, até parece que esquecemos o quão o sorriso se torna diante de alguma lágrima.

E, afinal, já que o mundo anda tão moderno, onde será que a gente clica pra voltar a dar valor para aquelas coisas que – um dia, quando deixamos passar despercebidos – já nos fizeram sorrir mais internamente que aparentemente?

Marianne Galvão