Vou ao cinema para ler, sim

Vou ao cinema para ler, sim

Queria escrever sobre a enorme quantidade de filmes dublados invadindo as salas de cinemas. Para falar a verdade eu queria só reclamar que não consigo encaixar nenhum filme interessante e legendado nos meus horários livres. Mas para começar a reclamar foi preciso pensar um pouco em como escreveria minhas cobras e lagartos, foi quando então que vi que o buraco era mais embaixo.

Para iniciar a reflexão, uma questão: Para quê , meu deus, para quê tanta dublagem?  A resposta para essa questão shakespeariana, ou nem tanto, pode vir de diversos lugares. Um deles é a ascensão da classe “C” (na verdade “ascensão da classe “C””, pode ser resposta para quase tudo hoje em dia, de inquérito policial à redação do ENEM, joga lá que é batata). Mas não dá para fugir dessa realidade, os grandes do mercado do cinema já entenderam que em tempos de Torrent é preciso fazer de tudo para atrair novamente o público para o cinema e poder vender pipoca à preço de um rim e para atrair esse público é preciso dublar como se não houvesse amanhã – fator que reflete inclusive no conteúdo dos filmes nacionais e suas comédias repetidas.

Fato concreto é que o público, no geral, prefere dublagens ao invés de legendas. Nós não estamos acostumados a ler, menos ainda a ler e assistir ao filme ao mesmo tempo. Segundo a revista Época, um filme como Os vingadores, que tem muita violência e pouca conversa, contém 50 mil caracteres de legenda, equivalentes a 30 páginas de livro. Em duas horas, é muita leitura para quem não está acostumado.

A desculpa não é a baixa escolaridade, é a preguiça mesmo. Boa parte do público está ali sentada usando óculos 3D para mero entretenimento, ninguém está se importando com importação vocal ou a completa interpretação do ator, deixa isso para os cinéfilos, mesmo os de meia tigela, como eu.

Riane Brito